Gustavo Soares dos SantosPsicólogo · CRP 06/160892
Publicado em 19 de outubro de 2026
O que é uma crise de ansiedade
É um episódio de medo ou desconforto intenso que costuma começar de repente e chegar ao ponto mais forte em poucos minutos. Pode surgir diante de um gatilho (uma situação de pressão, um lugar, um pensamento) ou aparentemente do nada.
Uma crise isolada não significa, por si só, que a pessoa tenha um transtorno. Quem esclarece isso é a avaliação de um profissional.
O que a pessoa pode sentir
- coração acelerado ou batendo forte
- falta de ar ou sensação de sufocamento
- aperto ou dor no peito
- tremores, suor e calafrios
- tontura, formigamento ou dormência
- náusea ou desconforto no estômago
- sensação de estranheza, como se tudo estivesse irreal
- medo de perder o controle, de enlouquecer ou de morrer
Nem todo mundo sente tudo isso, e a intensidade varia. O que costuma ser comum é a impressão de que "algo está muito errado", mesmo sem perigo à vista. Como alguns desses sintomas se parecem com os de problemas físicos, a avaliação médica faz parte do cuidado.
Por que o corpo reage assim
O corpo tem um sistema de alerta que prepara a pessoa para enfrentar ou fugir de uma ameaça: o coração acelera, a respiração muda, os músculos se tensionam. Numa crise, esse alarme dispara mesmo sem perigo concreto.
As sensações são desconfortáveis e assustadoras, mas costumam diminuir sozinhas depois de alguns minutos. Pensamentos como "vou desmaiar" ou "algo grave está acontecendo" tendem a aumentar o medo, e o medo reforça as sensações.
O que pode ajudar no momento
Estas estratégias ajudam a atravessar a crise. Elas não substituem o acompanhamento profissional.
- Lembre-se do que é: uma reação do corpo, desagradável, mas que costuma passar. Dizer isso para si mesmo, em silêncio, já ajuda.
- Respire devagar: inspire pelo nariz contando até 4 e solte pela boca contando até 6. Repita por alguns minutos.
- Traga a atenção para fora: olhe ao redor e nomeie cinco coisas que você está vendo, depois quatro que está ouvindo ou tocando.
- Ancore o corpo: sente-se, se puder, e sinta os pés apoiados no chão e as costas na cadeira.
- Não lute contra a sensação: aceitar que ela está ali, sem tentar eliminá-la à força, costuma diminuir a tensão.
- Avise alguém de confiança, se for possível. Não precisa ficar sozinho.
O que costuma piorar a situação
- tentar controlar as sensações à força ou "parar de sentir";
- ficar monitorando o corpo o tempo todo, checando o coração ou a respiração;
- evitar todos os lugares e situações onde a crise já aconteceu. Isso traz alívio agora, mas costuma aumentar o medo de novas crises e a vida vai ficando menor.
Quando procurar ajuda
- Na primeira crise, ou quando há sintomas físicos: faça uma avaliação médica, para descartar outras causas.
- Quando as crises se repetem, ou quando você passa a ter medo de ter uma nova crise e começa a evitar lugares ou situações.
- Quando a ansiedade atrapalha o sono, o trabalho ou os relacionamentos.
Como a psicoterapia pode ajudar
Na terapia, investigamos o que antecede as crises, como você reage a elas e o que acontece depois, e construímos, aos poucos, outras formas de lidar com as sensações e com o medo de senti-las. O ritmo é combinado com você. Se quiser entender como isso funciona no dia a dia, veja a página sobre terapia para ansiedade.
Fontes e referências
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., text revision (DSM-5-TR). 2022.
- Centro de Valorização da Vida (CVV): cvv.org.br.
Leia também
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Conteúdo informativo, escrito por Gustavo Soares dos Santos, psicólogo (CRP 06/160892). Não substitui avaliação individual.
